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Autores modernistas da segunda fase (continuação)

Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza, Ceará, em novembro de 1910. Foi romancista, cronista, contista e dramaturga.

Filha de uma família de grandes latifundiários, passou sua infância e adolescência entre Ceará, Rio de Janeiro e  Belém do Pará.

Foi favorecida pelo ambiente intelectual familiar, pois descende de José de Alencar (autor de O Guarani, 1829 - 1877) por parte materna e adquiriu uma cultura superior à das mulheres de sua época.


Rachel de Queiroz, Fortaleza (Ceará) – 1910-2003


Obra O Guarani.

Em 1930, com apenas 20 anos, publicou o romance O Quinze, seu mais célebre romance e considerado pela crítica como um divisor de águas na literatura regionalista. 


Obra O Quinze

Convertida ao marxismo, como quase toda a sua geração, aderiu ao PCB e nele permaneceu por dois anos, até que dirigentes do partido teceram fortes críticas ao seu segundo romance, João Miguel, na tentativa de proibir a publicação.


Obra João Miguel

Rachel de Queiroz abandonou então o partido e se filiou a uma nova tendência trotskista, onde permaneceu até meados de 1940. A partir daí, dedicou-se a traduções e ao jornalismo, tornando-se cronista de O Cruzeiro, importante revista brasileira na década de 1950.


Revista O Cruzeiro

Nos anos 60, suas posições políticas tornam-se mais conservadoras, a ponto de ter sido uma das poucas personalidades intelectuais a apoiar incondicionalmente o regime militar. Em 04 de agosto de 1977, rompendo com um velho preconceito, foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, onde foi a ocupante da Cadeira 5.


Rachel de Queiroz na ABL

Entre os inúmeros prêmios recebidos está o Prêmio Camões, conferido pelos governos de Portugal e do Brasil, no ano de 1993, por sua contribuição à literatura. Cronista muito experiente, publicou mais de duas mil crônicas, cuja coletânea propiciou a edição e publicação dos inúmeros livros.

Dentre as suas atividades, destaca-se também a de tradutora, com cerca de quarenta volumes traduzidos para o português. Rachel de Queiroz faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 4 de novembro de 2003.


Estátua da escritora Rachel de Queiroz em Fortaleza, na Praça General Tibúrcio.

Principais obras

Romance: O Quinze (1930); João Miguel (1932); Caminho das Pedras (1937); As Três Marias (1939); Dôra, Doralina (1975); O Galo de Ouro (1985); Memorial de Maria Moura (1992).


Obra Memorial de Maria Moura

Infantil e juvenil: O Menino Mágico (1969); Cafute & Pena de Prata (1986); Andira (1992).


Obra Cafute & Pena de Prata

Teatro: Lampião (1953); A Beata Maria do Egito (1958); Teatro (1995).


Publicação de A Beata Maria do Egito

Crônica:  A Donzela e a Moura Torta (1948); Cem Crônicas Escolhidas (1958); O Brasileiro Perplexo (1964); O Caçador de Tatu (1967); O Jogador de Sinuca e Mais Historinhas (1980); Mapinguari (1964); As Terras Ásperas (1993); O Nosso Ceará (1994)- com Maria Luiza de Queiroz Salek; Um Alpendre, uma Rede, um Açude (1994); Falso Mar, Falso Mundo (2002).


Obra As Terras Ásperas

Memórias: Tantos Anos (1994) - com Maria Luiza de Queiroz Salek; O Não Me Deixes: Suas Histórias e Sua Cozinha (2000) - com Maria Luiza de Queiroz Salek.


Obra Tantos Anos

Vale a pena saber mais:

Assim como seus contemporâneos nordestinos, a obra de Rachel de Queiroz tem forte caráter regionalista, abordando mais precisamente sobre o Ceará. Além do interesse social, o flagelo da seca e o coronelismo demonstrado em seus dois primeiros romances - O Quinze e João Miguel – suas obras evidenciam a apreensão com os traços psicológicos do homem daquela região, que aceita seu destino sem questionar.

Observe um fragmento de O Quinze:

Debaixo de um juazeiro grande, todo um bando de retirantes se arranchara: uma velha, dois homens, uma mulher nova, algumas crianças.
O sol, no céu, marcava onze horas. Quando Chico Bento, com seu grupo, apontou na estrada, os homens esfolavam uma rês e as mulheres faziam ferver uma lata de querosene cheia de água, abanando o fogo com um chapéu de palha muito sujo e remendado.

Em toda a extensão da vista, nenhuma outra árvore surgia. Só aquele juazeiro, devastado e espinhento, verdejava a copa hospitaleira na desolação cor de cinza da paisagem.
Cordulina ofegava de cansaço. A Limpa-Trilho gania e parava, lambendo os pés queimados.
Os meninos choramingavam, pedindo de comer.
[...]

Nas obras Caminho de pedras, de 1927, e As três Marias, de 1939, seus textos são  comprometidos, harmonizando ainda mais o social e o psicológico, trazendo uma reflexão político-social consciente.


Capa atualizada da obra As três Marias.

Após cerca de quarenta anos sem escrever, Rachel de Queiroz lança, no ano de 1992, Memorial de Maria Moura, obra que retrata a história de uma cangaceira nordestina, uma "donzela guerreira", que parte em busca de vingança contra criminosos que assassinam seus familiares. O texto, posteriormente, foi adaptado para a televisão.


Atores brasileiros em Memorial de Maria Moura, obra adaptada para a televisão

  
Como referenciar: "Rachel de Queiroz" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 16/07/2019 às 07:51. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/modernismo/modernismo13.php