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Autores modernistas da segunda fase (continuação)

Graciliano Ramos

Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em nasceu em Quebrângulo (AL) no ano de 1892. Foi romancista, contista e cronista.

Estudou em Maceió. Após breve período trabalhando como jornalista no Rio de Janeiro, fixou residência em Palmeira dos Índios (AL), onde se casou e abriu um pequeno comércio.


Graciliano Ramos, Quebrângulo (Alagoas) – 1892-1953


Graciliano Ramos com a esposa Heloísa e filhos em Palmeira dos Índios, 1931.

No período de 1928 a 1930, foi prefeito da cidade. Posteriormente mudou-se para Maceió (AL), onde exerceu importantes cargos burocráticos e publicou suas primeiras obras Caetés e São Bernardo.

 
Primeira capa da obra Caetés

No ano de 1936, foi preso sob a acusação de era comunista. Sem julgamento, ficou detido por 10 meses, passando por inúmeras humilhações dentro dos vários presídios, experiência que foi contada em Memórias do cárcere.  


Capa obra Memórias do cárcere

Quando em liberdade, mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como revisor, inspetor de ensino e como colaborador do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). O DIP era o órgão de propaganda cultural e política do Estado Novo e também servia para cooptar intelectuais.

Neste mesmo período, os romances de Graciliano Ramos passaram a ter excelente aceitação entre um público mais sofisticado e nos círculos intelectuais. No ano de 1945, Graciliano filiou-se ao PCB.

Morreu vitima de câncer na capital do Rio de Janeiro no ano de 1953, reconhecido como importante romancista.


Graciliano Ramos na União de Escritores Soviéticos, em Moscou, maio de 1952


Últimos dias de vida de Graciliano Ramos

Suas obras foram traduzidas em dezenas de idiomas, e alguns relatos receberam versão cinematográfica.


Personagens da obra Vidas Secas na versão cinematográfica

Principais obras:

Romance: Caetés (1933); São Bernardo (1934); Angústia (1936); Vidas Secas (1938); Brandão Entre o Mar e o Amor – em colaboração com Jorge Amado, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz e Aníbal Machado(1942); Histórias de Alexandre (1944); Infância (1945); Dois Dedos (1945); Histórias Incompletas (1946); Insônia (1947); 7 Histórias Verdadeiras (1951); Memórias do Cárcere (1953); Viagem (1953); Pequena História da República (1960); Histórias Agrestes (1960); Viventes de Alagoas (1962); Alexandre e Outros Heróis (1962); Linhas Tortas (1962).


Obra Histórias Incompletas

Vale a pena saber mais:

Graciliano Ramos destaca-se como o principal romancista da segunda fase do Modernismo. Suas obras conciliam o regionalismo e a psicologia, trazendo como tônica a relação problemática e repleta de conflitos  do homem com o meio natural e a sociedade.

Seu estilo surpreende pela quase inexistência de adjetivos, traz um estilo seco, conciso e sintético, onde deixa de lado o sentimentalismo a favor de uma objetividade e clareza em textos com mensagens diretas e sem rodeios. Nas obras São Bernardo, Angústia e Vidas Secas, Graciliano Ramos mostra um perfil psicológico e sociopolítico que nos instiga a uma visão crítica dos rumos que a sociedade moderna toma. Observe este trecho de Vidas Secas:

Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se agüentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes, utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopéias. Na verdade falava pouco. Admira as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas.
[...]

Na obra autobiográfica, que contém certos elementos ficcionais, Memórias do Cárcere, Graciliano Ramos descreve toda a violência e humilhações que viveu enquanto esteve preso, denunciando o autoritarismo provocado por um regime ditatorial chamado de Estado Novo.

Observe este fragmento da obra Memórias do Cárcere:

“O mundo se tornava fascista. Num mundo assim, que futuro nos reservariam? Provavelmente não havia lugar para nós, éramos fantasmas, rolaríamos de cárcere em cárcere, findaríamos num campo de concentração. Nenhuma utilidade representávamos na ordem nova. Se nos largassem, vagaríamos tristes, inofensivos e desocupados, farrapos vivos, fantasmas prematuros; desejaríamos enlouquecer, recolhermo-nos ao hospício ou ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço e dar o mergulho decisivo. Essas idéias, repetidas, vexavam-me; tanto me embrenhara nelas que me sentia inteiramente perdido.”
[...]

  
Como referenciar: "Graciliano Ramos" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 16/07/2019 às 08:07. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/modernismo/modernismo14.php