Autores da Literatura Portuguesa (continuação)

Eça de Queirós

Escritor do realismo português, José Maria de Eça de Queirós (1845-1900) nasceu na cidade de Póvoa de Varzim e foi batizado como “filho natural de José Maria d'Almeida de Teixeira de Queirós e de Mãe incógnita”, o que indicava que seus pais pertenciam a classes sociais diferentes.

De fato, quando sua avó faleceu, seus pais José Maria e Carolina Augusta Pereira se casaram e tiveram outros seis filhos.

Eça estudou Direito na Universidade de Coimbra e foi para Lisboa, onde foi advogado e jornalista. Anos mais tarde, ingressou na carreira diplomática e trabalhou em Cuba, Inglaterra e Paris (onde veio a falecer).


Retrato do escritor português Eça de Queirós

Seus principais romances são:

O Crime do Padre Amaro (1875)

Livro que inaugura o Realismo em Portugal, é uma crítica à Igreja Católica e ao provincianismo português. Contém características do Naturalismo: o romance mostra como o meio corrupto em que as pessoas se encontram influencia nas suas decisões morais.

O Crime do Padre Amaro conta a história de amor entre o padre Amaro, um órfão que fora adotado por uma rica marquesa e enviado ao seminário, e Amélia, moça na vila de Leiria. Quase todos os personagens do romance têm defeitos morais - a própria mãe de Amélia é amante do cônego local.

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Capa da edição brasileira de O Crime do Padre Amaro (ed. Ática). Na imagem, o confronto entre a vida pura e beata e a vida em pecado da sociedade.

O romance entre os dois é descoberto quando o então noivo de Amélia publica um artigo criticando os religiosos que possuem amantes e não seguem o celibato. O artigo causa polêmica e Amélia decide terminar com ele para permanecer com Amaro. A moça engravida, é mantida escondida por Amaro, mas recebe amparo do Abade Ferrão, uma boa alma.

Após o nascimento da criança, Amélia morre, a criança é levada para uma “tecedeira de anjos” e é dada como morta. Amaro fica ligeiramente abalado, mas em pouco tempo retoma a sua vida e suas aventuras.

O Primo Basílio (1878)

O romance, que se passa em um ambiente urbano, conta a história de amor entre Luísa e seu primo Basílio. Os dois acabam se reencontrando após muitos anos e se envolvendo, já que Jorge, marido de Luísa, estava ausente a negócios. Basílio vai embora e os dois passam a se corresponder por cartas. No entanto, Juliana, uma empregada, descobre a troca de correspondências entre os dois amantes, rouba as cartas para si e passa a chantagear a patroa.

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Capa da edição brasileira de O Primo Basílio (ed. Ática) mostrando  a personagem Luísa com as cartas trocadas com Basílio em seu corpo.

Jorge retorna de sua viagem e Luísa consegue reaver as cartas; a empregada, ameaçada de ser levada à prisão, tem um ataque cardíaco e falece. Luísa adoece e, enquanto permanecia de cama, Basílio responde a uma de suas cartas de amor. A correspondência é entregue a Jorge, que descobre o adultério. Mesmo desesperado, Jorge leva em consideração o amor que sente e o estado frágil de Luísa, e perdoa a mulher. No entanto, ela falece.

Ao saber da notícia, Basílio se mostra surpreso, porém, indiferente. E chega à conclusão de que seu caso com Luísa havia sido absurdo. Da mesma maneira que em O Crime do Padre Amaro, o protagonista de O Primo Basílio não sente remorso com a morte da mulher com quem se envolvera.


Caricatura do romance O Primo Basílio feita pelo ilustrador português Rafael Bordalo Pinheiro em 1878.

  
Como referenciar: "Eça de Queirós" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 19/09/2019 às 16:23. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/portuguesa/portuguesa4.php