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Semana de Arte Moderna

Contexto histórico

O modernismo chegou ao Brasil no ano de 1922, por meio da Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22.

O evento ocorreu entre 11 a 18 de fevereiro, sendo cada um desses dias dedicado para uma área diferente no campo das artes (pintura, escultura, poesia, literatura e música).

O local escolhido para o evento foi o Teatro Municipal da cidade de São Paulo.


Cartaz/Convite da Semana de Arte Moderna


Teatro Municipal de São Paulo - registro fotográfico realizado entre 1902 e 1927.

Não há registro de quem foi o idealizador do evento. Sabe-se, no entanto, que a motivação era a de transformar os antigos conceitos do século XIX. Embora o principal centro de insatisfação estética seja, nesta época, a literatura, particularmente a poesia, movimentos como o Futurismo, o Cubismo e o Expressionismo começavam a influenciar os artistas brasileiros.


Grupo modernista de 1922 – os principais articuladores da Semana de Arte Moderna e seu grupo, entre eles os escritores: Oswald de Andrade, Rubens Borba de Moraes, Cândido Motta Filho, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Graça Aranha e Paulo Prado.

No entanto, como toda inovação, A Semana não foi bem recebida pelos mais tradicionais, e a crítica não poupou esforços para destruir suas ideias. O período era o da República Velha, liderada por oligarcas do café, e da política conservadora que então dominava o cenário brasileiro. A burguesia, habituada aos modelos estéticos europeus mais arcaicos, sentiu-se agredida em sua sensibilidade e insultada em suas preferências artísticas.

Mesmo com tantas críticas, o evento conseguiu atrair um grande público. Certamente, muitos reagiram com espanto e repúdio a grande parte das obras. Os jornais da época referiram-se aos artistas que participaram do movimento como "subversores da arte", "espíritos cretinos e débeis" ou "futuristas endiabrados". A exceção disso, na época, a Semana não teve grande repercussão – foi apenas com o passar dos anos, notando-se a sua influência em movimentos e obras posteriores, que o evento ganhou seu devido valor histórico.


Charge da época ironizando os objetivos modernistas

Antecedentes

Alguns eventos são considerados determinantes e de alguma forma contribuíram com a realização da Semana de 1922:

1912: Oswald de Andrade, ao retornar da Europa, traz as ideias de Futurismo de Marinetti e afirma: "Estamos atrasados cinquenta anos em cultura, chafurdados ainda em pleno Parnasianismo". 

1913: Lasar Segall, pintor lituano, realiza "a primeira exposição de pintura não acadêmica em nosso país", nas palavras de Mário de Andrade.

1914: Acontece a primeira exposição de Anita Malfatti, que retorna da Europa impregnada de influências pós-impressionistas.

1917: Mário de Andrade e Oswald de Andrade, considerados os dois grandes líderes da primeira geração do Modernismo brasileiro, se tornam amigos. Ocorre a publicação de Há uma gota de sangue em cada poema; livro de poemas de Mário de Andrade, que utilizou o pseudônimo Mário Sobral para assinar a obra pacificadora, onde protesta contra a Primeira Guerra Mundial. 

Publicação de poemas regionalistas de Menotti Del Pichia Moisés e Juca Mulato, que obtêm sucesso junto ao público. Publicação de Manuel Bandeira A cinza das horas. O músico francês Darius Milhaud, que mora no Rio de Janeiro, se entusiasma com os estilos musicais maxixe, samba e os chorinhos de Ernesto Nazareth, e se encontra com Villa-Lobos.

Ocorre a segunda exposição de Anita Malfatti, exibindo quadros expressionistas, criticados com dureza por Monteiro Lobato no artigo "Paranoia ou mistificação?", publicado no jornal O Estado de S. Paulo, Esse artigo é considerado o “estopim” do modernismo brasileiro, já que gerou a união dos jovens artistas, levando-os a discutir a necessidade de divulgar coletivamente o movimento.

1919: Manuel Bandeira publica Carnaval, apresentando versos livres.

1921: Durante festa no Palácio Trianon, em homenagem ao lançamento de As máscaras, de Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade faz um discurso, declarando a chegada da revolução modernista em nosso país. Ocorrem exposições de quadros de Vicente do Rego Monteiro, em Recife e no Rio de Janeiro, que exploram a temática indígena. 

Mostra apresenta desenhos e caricaturas de Di Cavalcanti, denominada “Fantoches da Meia-noite”, na cidade de São Paulo. Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Cândido Mota Filho e Mário de Andrade divulgam o Modernismo em revistas e jornais. 

Mário de Andrade escreve a série Os mestres do passado, analisando esteticamente a poesia parnasiana que se encontrava no auge da consideração literária e manifesta a necessidade de superá-la, porque a sua missão já tinha sido cumprida. Publicação do artigo de Oswald de Andrade sobre os poemas de Mário de Andrade, intitulando-o "O meu poeta futurista". A partir disso, ainda que da recusa de Mário de Andrade em aceitar a denominação, a palavra "futurismo" passa a ser utilizada de forma indiscriminada para designar toda e qualquer manifestação de comportamento modernista, na maioria das vezes em tom pejorativo.

Principais participantes da Semana de Arte Moderna


Capa do catálogo da exposição, desenhado por Di Cavalcanti.  


Programa da Semana de Arte Moderna

  • Literatura: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Graça Aranha, Ronald de Carvalho, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet.


Mário de Andrade (sentado, à frente), Anita Malfatti (sentada, à direita) e Zina Aita (ao lado de Anita).

  • Artes Plásticas e Música: Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Santa Rosa, Villa-Lobos, Guiomar Novaes.


Cartaz anunciando a apresentação de Villa-Lobos no último dia da Semana de Arte Moderna

Saiba mais:
Um dos principais eventos na Semana de Arte Moderna foi a leitura do poema "Os Sapos", de Manuel Bandeira, representado abaixo. A obra critica duramente a estética e temas parnasianos, e foi extremamente vaiada pelo público.


Poema "Os Sapos", de Manuel Bandeira

Podemos dizer que a maior contribuição da Semana de Arte Moderna foi dar liberdade à arte brasileira, desprendendo-a da reprodução pouco criativa dos padrões europeus, e iniciar a construção de uma cultura essencialmente nacional. Seus efeitos e repercussões marcaram decisivamente a arte, a arquitetura e a cultura brasileira dos anos seguintes.

  

Como referenciar: "Semana de Arte Moderna" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 20/01/2019 às 23:41. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/premodernismo/semana.php