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O Realismo no Brasil

No Brasil, as últimas produções da terceira geração romântica, na segunda metade do século XIX, já indicavam a mudança que estava por vir.

Castro Alves, Sousândrade e Tobias Barreto atentavam para a realidade social do país em suas obras.

Na prosa, a obra de Manuel Antônio de Almeida também dava indícios de novas abordagens no romance.


O Violeiro (1899), de Almeida Junior

O contexto histórico brasileiro

O Brasil, na segunda metade do século XIX, assim como a Europa, vivia um momento bastante conturbado. O cientificismo, o positivismo e as teorias sociais vindas da Europa, juntamente com o abolicionismo, a Guerra do Paraguai, a assinatura da Lei Áurea, a substituição da mão de obra escrava pela assalariada (principalmente dos imigrantes que chegaram ao Brasil), o ideal republicano e a crise da monarquia caracterizavam a segunda metade do século XIX. 

Esse período representou o declínio da sociedade aristocrático-escravista e uma gradual ascensão do capitalismo industrial. Em São Paulo, as máquinas e as indústrias começaram a surgir, e os cafeicultores, com a mão de obra assalariada, passaram de latifundiários a empresários agrícolas.  


Proclamação da República (1893), de Benedito Calixto

O realismo no Brasil estreou em 1881 com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

Principais características

As características do movimento estão intimamente ligadas com o contexto histórico brasileiro e com as novas teorias vindas da Europa, principalmente no que diz respeito ao positivismo, ao socialismo e ao evolucionismo.

Desenvolveu-se, assim, uma postura objetiva na maneira de tratar a ficção. No entanto, havia a busca pelos detalhes mais precisos e “realistas” possíveis, sem abrir mão da crítica social. Com isso, o subjetivismo e sentimentalismo do movimento romântico abriram espaço para o universalismo e o materialismo do momento presente.

Os escritores do período podem ser considerados antimonárquicos, pois criticam a monarquia e defendem o republicanismo; antiburgueses, pois denunciam a hipocrisia da família patriarcal burguesa como célula da sociedade, e anticlericais, pois defendem a separação entre Estado e religião.

Autores e obras

Os principais autores realistas brasileiros são Machado de Assis e Raul Pompeia. Este último pode ser considerado um escritor de transição entre o Realismo e o Naturalismo, pois seu romance principal, O Ateneu, possui características de ambos os períodos. No entanto, consideraremos o romance de Pompeia como pertencente ao Realismo.

Como referenciar: "Realismo no Brasil" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 19/02/2019 às 21:51. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/realismo/realismo04.php