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Autores modernistas da primeira fase (continuação)

Oswald de Andrade

José Oswald de Andrade (1890 - 1954) nasceu em São Paulo, filho de tradicional família da oligarquia local. Teve excelente educação escolar, embora descontinuada, em razão de inúmeras viagens realizadas à Europa, onde entrou em contato com as vanguardas artísticas.

Por esta razão, tornou-se o principal divulgador da renovação artística no Brasil e o mais cosmopolita dos modernistas. Teve papel fundamental e decisivo tanto na Semana de Arte Moderna quanto nos anos de afirmação dessa nova estética.


Oswald  de Andrade, de Tarsila do Amaral

Devido ao seu espírito anarquista e iconoclasta, fez muitos inimigos, inclusive entre os modernistas. Foi o responsável também por dar início à discussão sobre a identidade brasileira, na década de 1920, através dos movimentos Pau-Brasil e Antropofagia. A partir de 1930, sua criatividade e importância histórica decaíram ante as profundas alterações históricas vividas pelo país e o retorno das formulações realistas e neo-realistas na arte.

No ano de 1945, obteve a livre docência em Literatura Brasileira pela USP. Faleceu em São Paulo, no ano de 1954, aos 64 anos. Ao fim da década de 1960 e início de 1970, no entanto, seus textos poéticos de ficção e teóricos foram reabilitados pelos tropicalistas e pelos concretistas, sendo aclamados clássicos da cultura brasileira.


Revista de Antropofagia – capa da primeira edição


Manifesto Antropófago”, de Oswald de Andrade (1928).

Para saber mais:
Iconoclasta: é aquele que não respeita tradições e crenças estabelecidas ou se opõe a qualquer tipo de culto ou veneração, seja de imagens ou outros elementos. O termo abrange ainda aqueles que destroem monumentos, obras de arte e símbolos.

Principais obras

Ficção: Os condenados (1922); Memórias sentimentais de João Miramar (1924); A estrela de absinto (1927); Serafim Ponte Grande (1937); Marco Zero (1943, dividido em A revolução melancólica e Chão).


Folha de rosto da obra Marco Zero, A revolução melancólica

Poesia: Pau-Brasil (1925); Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald de Andrade (1927); Poesias reunidas (1945).


Capa da obra Pau-Brasil

Teatro: O rei da vela (1937); A morta (1937).


Registro fotográfico da obra/peça teatral O rei da vela

Vale a pena saber mais:

Poesia
Na obra Pau-Brasil (1925), o autor traz uma análise crítica da realidade brasileira, “redescobre” o Brasil, parodiando os textos produzidos pelos primeiros cronistas brasileiros, recontando a história colonial do Brasil.

Observe o Trecho da Carta de Caminha parodiado por Oswald de Andrade:

As meninas da gare*
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
   *estação de trem

O trecho/texto de Pero Vaz de Caminha parodiado é:
“Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças bem gentis,
com cabelos mui pretos e compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas,
tão saradinhas e tão limpas de cabeleiras que, de as muito bem olharmos,
não tínhamos nenhuma vergonha.”


Reprodução da carta de Pero Vaz de Caminha - o primeiro escrito pós-descobrimento

Prosa
Os romances Memórias sentimentais de João Miramar (1924) e Serafim Ponte Grande (1930) admiram pelo trabalho com a linguagem (simultaneidade, quase ausência de pontuação, neologismos, condensação, palavras em liberdade) e pela montagem, apresentando capítulos extremamente curtos, que se aproximam da poesia.

Observe o capítulo 66 da obra Memórias sentimentais de João Miramar:

“Beiramarávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol.
Losangos tênues de ouro bandeiranacionalizavam os verdes montes interiores.
No outro lado azul da baía a Serra dos Órgãos serrava.
 Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Rolah ia vinha derrapava em túneis.
Copacabana era um veludo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.”


Capa da primeira edição de Memórias sentimentais de João Miramar

A importância de Oswald de Andrade

Para os dias atuais, os textos/obras Memórias sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade, são quase ilegíveis. No entanto, apresentam grande importância histórica.

  • Os textos desarticulam as convenções da prosa de ficção brasileira, destruindo principalmente a linguagem retórica, tão acentuada nos primeiros anos do século XX.
  • Incorporam à ficção nacional os novos experimentos técnicos da moderna narrativa europeia.

Os “antirromances” de Oswald de Andrade cumprem, desta forma, a função saneadora das vanguardas, que tem como objetivo confrontar o passado e abrir caminho para os que vêm depois.


Montagem com fotos/imagens de Oswald de Andrade

  
Como referenciar: "Oswald de Andrade" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 19/02/2019 às 22:16. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/modernismo/modernismo4.php