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Principais autores modernistas da segunda fase

Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade foi poeta, cronista, contista, ensaísta e tradutor. No ano de 1910, iniciou seus estudos em Belo Horizonte, onde se tornou amigo de Gustavo Capanema, mais tarde ministro da Educação.

Em 1925 fundou, com o poeta Emílio Moura (1902 - 1971), o periódico modernista A Revista, que durou apenas três números.

No ano de 1928, Drummond publicou na Revista de Antropofagia o polêmico poema No meio do caminho.


Carlos Drummond de Andrade, Itabira (MG) 1902 – Rio de Janeiro (RJ) 1987

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Poema No meio do caminho

No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
 Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Sua estreia na literatura ocorreu no ano de 1930, com a publicação de Alguma Poesia, com tiragem de 500 exemplares paga pelo autor.


Alguma poesia, Carlos Drummond de Andrade

No mesmo ano, assumiu o cargo de oficial de gabinete de Capanema, então secretário do Interior de Minas Gerais, acompanhando-o em 1934 ao Rio de Janeiro, como chefe de gabinete, quando o amigo assume o Ministério da Educação e Saúde Pública. Em 1942, ocorre a publicação de Poesias, pela Livraria Editora José Olympio, que o torna nacionalmente reconhecido, inclusive pela crítica especializada.

Em 1945, deixa a chefia de gabinete de Gustavo Capanema para trabalhar na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - DPHAN, pela qual se aposenta em 1962. Confissões de Minas, 1944, é sua primeira publicação no gênero crônica, trabalho que exerce desde 1954, e para o qual se dedica regularmente, entre 1969 e 1984, através de sua coluna semanal no Jornal do Brasil.

Em 1951 faz a sua primeira incursão na prosa de ficção, com Contos do Aprendiz. Após doze dias da morte de sua filha, Maria Julieta, em 1987, morre também o poeta Carlos Drummond de Andrade.


Carlos Drummond de Andrade e sua filha, Maria Julieta

Principais obras

Poesia: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942);  A Rosa do Povo (1945); Claro enigma (1951); Fazendeiro do ar (1954); Lição de coisas (1962); Boitempo (1968); As impurezas do branco (1973); Discurso de primavera e algumas sombras (1977); Corpo (1984); Amar se aprende amando (1985); O amor natural (1992); Farewell (1996).
Contos: Contos de aprendiz(1951).
Crônicas: Fala, amendoeira (1957); Cadeira de balanço (1963).


Capa da obra Amar se aprende amando.

Vale a pena saber mais:

Nas obras Alguma poesia e Brejo das almas, de 1934, Drummond registra em tom irônico e bem humorado o acontecimento banal, os fatos corriqueiros e cotidianos. Observe o poema de Alguma poesia:

Cidadezinha qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar... as janelas olham.

Êta vida besta, meu Deus!


Publicação de Brejo das almas

As obras Sentimento do mundo, de 1940, e A rosa do povo, de 1945, mostram um poeta angustiado com a expansão do nazi-fascismo e com a destruição causada pela guerra. Sua poesia deixa de lado o bom humor e a ironia para servir como veículo de denuncia social.


Publicação de Sentimento do mundo

Em José e Poesias, de 1942, despontam o anonimato, a solidão e a falta de perspectiva a que estão reduzidos os homens. Observe o poema:

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

[...]
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Por fim, a partir de Claro enigma, de 1951, e em seus livros subsequentes, as preocupações anteriores somam-se às reflexões sobre a construção poética e o passado ressurge como contraponto à falta de esperança presente.


Obra Fala, amendoeira, de 1957

  
Como referenciar: "Carlos Drummond de Andrade" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 21/09/2019 às 08:58. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/modernismo/modernismo8.php