Autores do Pré-Modernismo

Euclides da Cunha

Euclides da Cunha nasceu em Cantagalo, estado do Rio de Janeiro. Era filho de um guarda-livros que, através do casamento tornou-se um pequeno fazendeiro.

Sua mãe morreu quando ainda era criança, aos três anos de idade. A partir disso, iniciou uma vida errante por casa de parentes, sem um paradeiro fixo, o que justificaria seu caráter triste e arredio.

Em razão da falta de recursos de seu pai para poder pagar um curso universitário, ingressou na Escola Militar, de onde foi expulso, em 1888, por afrontar o ministro da Guerra do Império. Estudou Engenharia Civil. Após a Proclamação da República foi reintegrado às Forças Armadas. Manteve-se no Exército até os trinta anos, quando se reformou voluntariamente, com o posto de capitão.


Euclides da Cunha, Rio de Janeiro, 1866 - 1909

Em 1897, foi correspondente de Guerra (Guerra dos Canudos) e passados quatro anos do fim da guerra, após inúmeras reflexões sobre o que havia presenciado, escreve, em 1902, Os Sertões e torna-se celebridade do dia para a noite.

Em 21 de setembro de 1903, Euclides da Cunha foi eleito para a cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras. Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha morreu no Rio de Janeiro, no dia 15 de agosto de 1909.

Obras de Euclides da Cunha

Os Sertões


Os Sertões - obra de Euclides da Cunha, 1902

Nesta obra, Euclides da Cunha descreveu a terra, o homem, a sociedade, a religião, enfim, todos os aspectos do sertão brasileiro. Sua intenção foi não só revelar à nação a vida humilde e desamparada do povo do sertão, esquecido pelos governantes; mas, também, denunciar o erro do governo com sua expedição punitiva, sem considerar os precedentes de natureza sociológica que deram motivo para o conflito. A obra divide-se em três partes:

  • a terra: descrição geográfica da região e das difíceis condições de sobrevivência de seu povo;


Exemplo de moradia em Canudos

  • o homem: caracterização dos vários tipos brasileiros. O autor detém-se no jagunço, a “sub-raça” com suas desgraças e torturas. Apresenta Antonio Conselheiro, o líder de Canudos;


Sertanejo (jagunço) prisioneiro, seu destino, a degola.

  • a luta: descrição da resistência heroica de Antonio Conselheiro e o massacre de 25.000 pessoas.


Antônio Conselheiro: foto tirada duas semanas após sua morte (morte natural), pelo fotógrafo Flávio de Barros, a serviço do Exército. O cadáver de Antônio Conselheiro foi exumado e sua cabeça foi decepada e enviada para a Faculdade de Medicina da Bahia, para ser objeto de estudos e análises frenológicas.

Para saber mais:
Frenologia: estudo da estrutura do crânio de modo a determinar o caráter das pessoas e a sua capacidade mental.

O trecho abaixo corresponde ao penúltimo capítulo de Os Sertões:

“Fechemos este livro.
Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.” (...)

Para saber mais:
Expugnado: conquistado/tomado à força das armas.

A importância de Os Sertões

A respeito de seu texto, disse Euclides da Cunha: “Escrevi este livro para o futuro.”. Certamente, nenhuma outra obra em nossa cultura teve tão ampla repercussão. O texto interliga duas camadas estruturais: a ensaística e a literária, que se tornaram fontes permanentes de debates.

A ensaística botou em xequetodas as compreensões que a intelectualidade brasileira tinha sobre seu próprio país, passando a influenciar inevitavelmente a discussão política sobre os destinos da nação. Durante boa parte do século XX, os anseios modernizadores e integradores das elites civis e militares parecem ter provindo dessa obra, hoje considerada um clássico da nacionalidade.

A literária, embora apresente caráter irreproduzível na sua linguagem, nutriu como motivo e visão de mundo numerosos relatos do chamado ciclo nordestino do Romance de 30, principalmente Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e Seara Vermelha, de Jorge Amado. Estudos recentes também apontam a forte influência de Os Sertões sobre a obra de João Guimaraes Rosa.

Outras obras de destaque: Contrastes e Confrontos (1907) e A Margem da História (1909).
  
Como referenciar: "Euclides da Cunha" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 20/01/2019 às 22:54. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/premodernismo/premodernismo3.php