Autores do Pré-Modernismo

Graça Aranha

Graça Aranha (José Pereira da Graça Aranha) nasceu em 21 de junho de 1868 em São Luís (MA), filho de uma família de posses. Cursou Direito no Recife, exercendo a magistratura por algum tempo no interior do Espírito Santo, fato que lhe iria fornecer material para um de seus mais notáveis trabalhos - o romance Canaã.

Logo em seguida, entrou para o Itamarati, onde atuou em importantes missões diplomáticas. Consagrado com o romance Canaã, publicado com grande sucesso editorial em 1902, ingressou ainda jovem na Academia Brasileira de Letras, com a qual romperia em 1924 por ter sido recusado o projeto de renovação que elaborara.


Graça Aranha, Maranhão, 1868 – 1931

No período da Semana de Arte Moderna, foi o único intelectual pré-modernista a participar ativamente através da conferência de abertura em 13 de fevereiro de 1922, intitulada: “A emoção estética na arte moderna”. Graça Aranha é considerado um dos líderes do movimento renovador de nossa literatura. Faleceu no Rio de Janeiro, já consagrado como escritor e pensador, em 26 de janeiro de 1931.


Publicação no Jornal do Brasil sobre a morte de Graça Aranha

Principais obras de Graça Aranha

  • Canaã (1902)
  • A estética da vida (1921)

Canaã


Folha de rosto de Canaã - obra de Graça Aranha, 1902

O romance Canaã, publicado em 1902, traz o resultado de observações de uma colônia de imigrantes alemães no Espírito Santo. A formulação da obra mesclava uma estrutura convencional de narrativa, apresentando enredo e personagens ficcionais e um eixo dominante centrado no debate de ideias.

Desta forma, Canaã estabelecia no Brasil um gênero desconhecido: o romance-ensaio, o romance de tese, ou seja, um romance onde as ideias são mais importantes do que o enredo da obra.

A narrativa gira em torno de dois imigrantes alemães, Mikau e Lentz, recém chegados da Europa e que trabalham como colonos no interior do Espírito Santo. Os personagens discutem sobre o futuro do país emitindo teorias sobre o atraso social do Brasil, assim como sobre o papel da imigração no futuro do país, por fim, acabam discutindo o sentido da existência humana.

O personagem Lentz possui ideias colonialistas, onde o Brasil seria um país condenado a não ter expressão mundial, devido à presença dominante de raças mestiças. A incumbência do imigrante consistiria então em demonstrar a superioridade da raça ariana. No âmbito pessoal, o personagem apresenta uma nostalgia prussiana: ele acredita em um universo dividido em guerreiros (seres fortes, repletos de vontade e etnicamente puros) e as grandes massas, considerado como um grupo amorfo e incapaz.

O personagem Mikau, por sua vez, defende a integração do imigrante à realidade do país, seja ela do ponto de vista social ou racial, idealizando uma democracia étnica. Acrescenta-se a isso uma filosofia individual fundamentada em um vago socialismo cristão, onde prevalecem ideais de solidariedade, amor e piedade. O sonho idealizado de um mundo de harmonia e paz a ser realizado futuramente no país, vendo Canaã como a terra prometida.

Ao final da obra, Lentz rende-se ao ambiente brasileiro e acaba por se mostrar generoso e humano, fato que representa uma adesão, ainda que involuntária, às ideias de seu compatriota. Mikau, de certa forma, torna-se o vencedor do debate.

Para saber mais:
Amorfo: indiferente, sem personalidade formada e sem princípios morais e éticos.
  
Como referenciar: "Graça Aranha" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 19/02/2019 às 22:28. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/premodernismo/premodernismo4.php