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Pedro Kilkerry

Pedro Kilkerry foi um poeta ignorado em seu tempo e redescoberto pelos críticos de vanguarda. É considerado o líder do movimento simbolista baiano. Era filho de um irlandês com uma mestiça baiana e formou-se em Direito pela Faculdade da Bahia.

Seus poemas foram impressos em jornais e revistas da época, especialmente nas publicações simbolistas Os Anais e Nova Cruzada.

O poeta não deixou obra editada. Sua poesia foi editada em livro pela primeira vez no ano de 1970. Pedro Kilkerry foi o criador de uma linguagem poética fragmentária, concreta, condensada e com fortes rupturas sintáticas e semânticas, formada por aliterações, onomatopeias e neologismos.


Pedro Kilkerry

No poema É o silêncio, o poeta relata o processo de criação. Observe um fragmento desse poema:

É o silêncio, é o cigarro e a vela acesa. 
Olha-me a estante em cada livro que olha. 
E a luz nalgum volume sobre a mesa...
Mas o sangue da luz em cada folha.

Não sei se é mesmo a minha mão que molha
A pena, ou mesmo o instinto que a tem presa. 
Penso um presente, num passado.  E enfolha
A natureza tua natureza.
Mas é um bulir das cousas... Comovido
Pego da pena, iludo-me que traço
A ilusão de um sentido e outro sentido.
Tão longe vai!
Tão longe se aveluda esse teu passo,
Asa que o ouvido anima...
E a câmara muda. E a sala muda, muda...
Afonamente rufa. A asa da rima
Paira-me no ar. Quedo-me como um Buda
Novo, um fantasma ao som que se aproxima.
Cresce-me a estante como quem sacuda
Um pesadelo de papéis acima...

(...)

  
Como referenciar: "Pedro Kilkerry - Simbolismo" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 18/04/2019 às 18:22. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/simbolismo/simbolismo6.php