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Glossário

I

Interpretação

Interpretar significa, em um primeiro momento, associar significado ao que está escrito. Porém, esse significado depende não apenas do leitor, como indivíduo, mas do contexto em que este lê o texto, de seus valores pessoais e comunitários (ideologia), o que faz de cada leitura e interpretação única em cima dos fatos e do enredo de uma obra ficcional. Até mesmo a Bíblia, que é entendida como a Palavra de Deus, suscita diversas interpretações o que, no passado, contribuiu para a formação de uma série de novas religiões. 

No entanto, segundo a definição de Gustavo Bernardo para o E-Dicionário de Termos Literários, não é a interpretação de um livro por um leitor que tem o poder de estabelecer a verdade, mas sim o conjunto de relações entre interpretações e leitores, entre textos e contextos.

Referência:
E-Dicionário de Termos Literários

Intertextualidade

Termo inicialmente cunhado pela filósofa búlgara Julia Kristeva para indicar, em suma, que um texto é produzido e interpretado a partir de outros textos. Mais especificamente, que um texto é um mosaico de citações, e a absorção e transformação de outro texto (CARVALHAL, 2003). Essa noção indica que não existe uma única leitura e interpretação para um texto, pois cada leitura é passível de gerar novas e variadas interpretações.

Além disso, a intertextualidade pressupõe que o leitor esteja munido de um conhecimento de mundo, ou conhecimento enciclopédico, isto é, de referências textuais e culturais que auxiliarão na interpretação. Assim, os leitores passam a ter um papel ativo no tratamento dos textos literários, pois são responsáveis pela recuperação das referências que levam a outros textos e a outros elementos culturais.

Essa noção promove uma revisão nos conceitos tradicionais de texto e de autoria, que designavam o texto e o ato de interpretar como passível de apenas uma interpretação, fixa e imutável e do autor como um gênio isolado com sua obra.

Referência:
CARVALHAL, Tânia Franco. Intertextualidade: A migração de um conceito. In: O Próprio e o alheio: Ensaios de Literatura Comparada. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2003.

Ironia

Figura de linguagem na qual o que uma pessoa fala significa, na realidade, o oposto do que ela quis dizer com o intuito de satirizar ou questionar certo tipo de pensamento. Acredita-se que a origem da figura de linguagem derive do grego eironeia, significando “ignorância simulada”.

Porém, não basta apenas dizer que é o “oposto” do que se quer dizer, deve-se levar em consideração que a figura de linguagem é geralmente empregada quando alguém quer ridicularizar ou criticar determinado fato, ideia, personagem, etc. Quando mal construída ou empregada, pode passar justamente a ideia que o autor se empenhou em não utilizar.

Um dos autores brasileiros mais célebres em fazer uso da ironia é Machado de Assis. Em sua obra, é constante o uso dessa figura de linguagem. Crítico da sociedade de seu tempo, Machado a utiliza frequentemente tanto em seus trabalhos de ficção, como contos e romances, quanto em suas crônicas acerca da literatura e da cidade do Rio de Janeiro.

Referências: EDGAR, Andrew. SEDGWICK, Peter. Ironia. In: Teoria Cultural de A a Z. Tradução de Marcelo Rollenberg. São Paulo: Contexto, 2008.  
Portal Só Português http://www.soportugues.com.br/secoes/estil/estil6.php

  

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Como referenciar: "Glossário - I" em Só Literatura. Virtuous Tecnologia da Informação, 2007-2019. Consultado em 17/02/2019 às 17:15. Disponível na Internet em http://www.soliteratura.com.br/glossario/glossarioI.php